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Desmistificando a Irrigação por Sulcos

O cultivo da soja em rotação com arroz, vem crescendo significativamente a cada ano no Rio Grande do Sul. De acordo com dados do Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA), cerca de 320.000 ha foram cultivados na safra 2018/19. Dentro destas áreas, a adoção do sistema de sulcos tem se intensificado, pois o mesmo possibilita aprimorar a drenagem da área e viabiliza a irrigação durante períodos críticos da cultura. A seguir, seguem alguns esclarecimentos para as principais dúvidas e questionamentos sobre o cultivo e irrigação da soja em sulcos.

1 - Toda área pode ser sulcada?

Nem toda área tem aptidão em ser sulcada. Necessita ter uma pendente definida e ausência de depressões, lagoas ou coroas. Em geral, em áreas de rotação com arroz, o sentido e posicionamento das curvas de nível (taipas) nos indicam a viabilidade de adoção do sistema, conforme figura abaixo.

 

2 - Para realizar sulcos é essencial que a área seja suavizada?

Também não, existem áreas com declives naturais quem podem ser sulcadas, conforme o item anterior. Porém, a suavização permite converter áreas anteriormente não aptas, pois corrige as irregularidades, direcionando o fluxo da água no terreno. Abaixo segue exemplo desta aplicação.

3 – Qual o melhor momento para confecção de sulcos?

Preconizamos que esta operação seja realizada de forma antecipada. O preparo antecipado auxilia na consolidação dos sulcos, melhora a drenagem do terreno no período de inverno, possibilita a introdução de pastagens para cobertura, além de ampliar a janela de semeadura pela melhoria da drenagem.

Outra função deste preparo antecipado é a redução do risco de assoreamento do sulco pela semeadura, pois quando as duas operações são realizadas próximas uma da outra, aumenta-se significativamente a probabilidade de que isso aconteça. Além destas peculiaridades é importante não sulcar as cabeceiras do talhão afim de facilitar as manobras das operações tratorizadas nos sulcos, tais como: plantio, pulverizações e colheita.

4 - Qual a profundidade ideal para confecção de sulcos?

A profundidade dos sulcos depende do tipo de solo e da declividade do terreno. Cada área deve ser analisada previamente. Para terrenos com pendente definida, não se faz necessário a realização de sulcos profundos (maiores que 25cm), pois a própria declividade auxilia na velocidade de escoamento da água.

Sulcos profundos são indicados para talhões com presença de lagoas ou depressões, com o intuito de drenagem das mesmas. Porém, sabemos que o recomendado para estas situações é a correção através da suavização ou sistematização.

5 - É imprescindível mexer nas linhas da semeadoura?

Não necessariamente. Em um primeiro momento, recomenda-se para quem está iniciando no sistema, que faça o plantio com leve ângulo em relação aos sulcos, sem mexer no espaçamento das linhas de plantio.

Já para aqueles usuários mais experientes, que buscam o ajuste fino do sistema, a opção é trabalhar com linhas pareadas, para que as mesmas sejam posicionadas em cima dos camalhões, logo, o plantio é realizado no mesmo sentido dos sulcos. Para isso é fundamental a utilização de sistema GNSS RTK + piloto automático.

6 – E a KF?
A plantadeira KF foi a pioneira, porém, acreditamos que ela não é a melhor opção, pois a umidade ideal de plantio não é a mesma para a confecção de sulcos. Conforme citado anteriormente, preconizamos que os sulcos sejam feitos de forma antecipada. Além disto, a KF possui baixo rendimento operacional, demanda alta potência, como também impossibilita o plantio sobre palhada devido a presença das aivecas, causando problemas de empacotamento (embuchamento). Apesar destas desvantagens, é uma alternativa para quem está iniciando. Existem vários casos de altas produtividades com a utilização deste sistema.

 Solo bem preparado
 Posicionamento das linhas de plantio muito na borda do camalhão
 Crista do camalhão alta e com presença de torrões
 Baixa plantabilidade
 Risco de assoreamento do sulco
 Dificuldade de trabalho em solos mais pesados

7 – Sulcos pós-plantio

Esta também é uma técnica que pode ser utilizada para quem está dando os primeiros passos na irrigação por sulcos. A fim de evitar o plantio sob sulcos, preconiza-se realizar esta operação depois da semeadura.

No entanto, oferece algumas desvantagens, como maior perda de plantas, necessidade de solo leve e bem preparado.

8 – É possível realizar sulcos em áreas sistematizadas com nível ou cota zero?

Sim, no entanto, não é a condição mais adequada para a utilização do sistema. Muitos produtores estão convertendo áreas sistematizadas em cota zero para declividade variada. Em geral preconiza-se gradientes de 0,01% a 0,5% a fim de facilitar o fluxo de água no terreno.

9 – E a irrigação, como funciona?

Independente do sistema adotado, o projeto de irrigação por politubos deve ser realizado com antecedência, onde, o conhecimento da vazão disponível, sentido, comprimento e espaçamento dos sulcos são fundamentais para o planejamento adequado da irrigação. Lembrando que a lâmina aplicada na irrigação por superfície é significativamente maior quando comparada a outros métodos de irrigação. Portanto, para banhos com no máximo 24 horas, em algumas situações com pouca coluna de água no canal, recomenda-se a pressurização do sistema através de bombas tratorizadas, facilitando bastante o manejo.

Conclusões

Não existe uma única fórmula para realizar o cultivo da soja em sulcos em terras baixas. As particularidades de cada área devem ser examinadas atentamente para identificar o sistema mais adequado para cada situação. Dessa forma, o produtor deve encontrar as melhores práticas dentro das suas condições, visando estar preparado para drenar e irrigar de forma eficiente.

 

Realização:


Guilherme Cassol – Gerente Técnico e Comercial


Julio Assis Brasil Filho – Representante Técnico de Vendas


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